A Linguística:
Segundo Orlandi (1994), Weedwood (2002) e Ferrarezi (2000), a Linguística vem se desenvolvendo desde os estudos primitivos indianos (hindus – sânscrito), gregos e latinos.
A Linguística começa a ser considerada ciência no século XX, mas já no séculos XVII e XIX foram feitos estudos que estruturaram a dinâmica da língua, em que foram criadas as gramáticas gerais (que buscavam atingir uma língua universal) e as gramáticas comparadas ( que visavam a historicidade da linguagem). Nesta época descobre-se a semelhança entre as línguas européias e o sânscrito, chamadas línguas indo-européias.
Ferdinand Saussure, com Curso da Linguística Geral, publicado em 1916, por seus alunos, dividiu a Linguística em fonologia (estudo das unidades sonoras), a sintaxe ( estudo da estrutura das frases), a morfologia ( estudo da forma das palavras) e a semântica (estudo das mudanças de significados).
Define signos como associação entre significante (imagem acústica) e significado (conceito); língua como sistema abstrato e fala como realização concreta da língua; sincronia (estado atual do sistema da língua) e diacronia (evolução da língua).
A partir da sua definição de sistema, surge, pelos seus sucessores, a estrutura, e a corrente chamada estruturalismo.
Do estruturalismo, vem o funcionalismo (que considera as funções de cada elemento da linguagem) e distribucionalismo (que analisa os termos de acordo com o contexto, a partir de um corpus).
Por iniciativa do russo R. Jakobson, em 1915, formou-se o Círculo Linguístico de Moscou (CLM) (formalistas russos); em 1931 o Círculo de Copenhague (CLC) (sem referência à Literatura); o de Viena (CLV) (racionalização da linguagem).
A Linguística desenvolve-se do estruturalismo ao gerativismo de Noam Chomsky, que propõe a gramática transformacional, centrada na sintaxe.
Com Chomsky a teoria da linguagem deixa de ser apenas descritiva para ser explicativa e científica – de um lado a semântica interpretativa e de outro a semântica gerativa.
Tendências: formalista, sociologista (sociolinguística, etnolinguística).
Teorias: Pragmática, Teoria da enunciação, Análise do discurso, Psicolinguística, Semântica argumentativa, Linguística do texto (essas três últimas influenciadas por Bakhtin).
Nesse aspecto sociolinguista, a prática do ensino de língua materna avança para a valorização da realidade do estudante, utilizando para o estudo, também sua própria linguagem e as formas de produção linguística presentes em seu meio como instrumento de análise.
Estudo sobre o ensino de Língua Portuguesa:
Segundo Terra (2001) a língua é um contrato coletivo, mas que cada um pode usar do jeito que achar melhor.
E para que os alunos saibam usá-la melhor, de acordo com Perrenoud (2000)
os professores devem disponibilizar mais possibilidades, objetivos mais claros e atividades adequadas.
De acordo com Bagno, existem muitas desculpas para os sistemas de ensino
esquivarem-se da responsabilidade de ensinar. Mas os professores de todas as disciplinas são os responsáveis pelo trabalho com a linguagem, como afirmam Abreu e Rameh (1972).
Perrenoud (2000) diz que falta preparação dos professores.
Possenti (2005) afirma que não se aprende por exercícios repetitivos, mas por práticas significativas, sem esquecer que, “o ensino objeto das escolas, deve ser o do português padrão, (...) pois o não-padrão os alunos já sabem”.
Luft (2001) explica que não é preciso memorizar regras para aprender a se comunicar bem.
Dacanal (1987) coloca que a aprendizagem se dá através da leitura de textos interessantes.
O professor deve interagir com os alunos, entender quando não aprendem,
trabalhar com o erro do aluno (atualmente não mais o erro como certo x errado, mas como uso inadequado para a proposta, o contexto), propiciar situações – problema significativos, de acordo com Perrenoud (2000).
Riboli (2005) explica que devemos trabalhar com a gramática dando sentido ao que fazemos:
O aluno precisa saber por que e para que a estuda, onde e quando usá-la. Se o professor estiver trabalhando orações subordinadas, precisa mostrar ao aluno que ao produzir um texto, conhecê-las é fundamental, ou seja, é importante que ele descubra que um bom texto deve ser coerente e coeso; isso só será possível se souber usar adequadamente o período composto.
Possenti (2005, p. 49) argumenta que
A leitura e a escrita devem ser atividades seguidas, não só para avaliação. Escritores, jornalistas não fazem redações, vão à rua, pesquisam, ouvem, lêem arquivos, outros livros. Só depois escrevem, lêem e relêem para depois reescreverem e mostram para colegas ou chefes, ouvem suas opiniões e depois reescrevem de novo. A escola pode muito bem agir dessa forma.
Bagno (2001) diz que na sala de aula deve-se desenvolver a prática da leitura e da escrita.
O ensino e aprendizagem das Orações Coordenadas e Subordinadas:
Portanto, as orações coordenadas e subordinadas devem ser analisadas dentro de um contexto para que faça sentido.
Assim, a maior preocupação da escola, como já foi exposto (PCN para Ensino Fundamental, 1997), deve ser fazer o aluno organizar a fala e escrita na forma padrão, para que tenha ferramentas próprias e eficientes para a prática da cidadania, evitando constrangimentos, desentendimentos, dúvidas e colocando o aluno em igualdade de condições lingüísticas- argumentativas- com qualquer pessoa que fale a mesma língua. Para isso, todos devem saber expressar-se claramente, colocar as palavras que expressem exatamente o que se pensa. Por exemplo: “Felizes aqueles cuja vida é pura, e seguem a lei do Senhor” (Salmos 118, 1) , ou seja, que além de terem uma vida pura, seguem a lei do Senhor, em que dá a idéia de soma de uma afirmação à outra, é diferente de “Felizes aqueles cuja vida é pura, pois seguem a lei do Senhor”; que estaria dizendo que aqueles que têm uma vida pura e que, por isso são felizes, estão seguindo a lei do Senhor, dando sentido de explicação da primeira oração com a informação da segunda. No entanto, todo falante já tem noção das idéias que as palavras ou a ordem das frases podem passar, de acordo com sua gramática intuitiva, como aponta Bagno (2001). Por isso, o estudo das orações deve ser feito no sentido de ampliar as possibilidades comunicativas do aluno, tanto para fazer-se entender, quanto para entender o que lhe é comunicado.
As orações dispõem-se no texto de acordo com a idéia que o falante ou escritor quiser produzir; e os alunos devem ter, na escola, possibilidade de ampliar as condições de uso dessas orações para organizar as suas idéias claramente e alcançar os próprios objetivos de comunicação, lembrando que a coordenação também se dá entre termos de uma mesma oração e subordinação na conexão sintática, como explica Carone (2005) e a análise das classificações das orações será mais eficiente se for feita como um exercício de interpretação textual.
Situações em que aparecem as coordenadas e subordinadas
Conjunções coordenativas servem para garantir a coesão do enunciado; geralmente são encontradas, segundo Infante (2005) nos textos narrativos, indicando circunstâncias, nos dissertativos, evidenciando as argumentações.
As orações subordinadas substantivas estão presentes em textos dissertativos para expor e avaliar fatos e conceitos mais em textos extensos.
As adjetivas, para definir conceitos (precisão) ou dar ênfase a dados ou conceitos. Também ajudam na argumentação.
As adverbiais – No desenvolvimento mais coerente da seqüência de fatos e de procedimentos argumentativos.
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