Em 2º lugar, temos o caso do tão polêmico livro de Português "Por uma vida melhor", da coleção Viver e Aprender.
A mídia mostrou a todo o Brasil, frases que o livro usa em UM dos seus capítulos, intitulado ESCREVER É DIFERENTE DE FALAR, colocando o povo todo contra algo que, na verdade, foi contextualizado de forma tendenciosa, pra variar, mais uma vez!!!
Ao ler a introdução e ver o conteúdo mostrado (minimamente) nos jornais, fiquei indignada pela forma como está sendo tratado.
Pra começar, não é só uma autora, como mostrou o Jornal Nacional! A profª Heloísa Cerri Ramos é uma dos 7 autores do livro.
O que se quer mostrar neste livro, é que, como a Prof. Heloísa muito bem falou no telejornal citado, nós podemos sim saber não só uma variável de nossa língua, mas muitas, afinal, temos plenas condições disso (ou será que todo mundo acredita, como alguns jornalistas e ditos “especialistas”, que somos burros e não temos capacidade de aprender as variantes de nossa língua?). A profª falou que temos de ter consciência dos diferentes contextos em que usamos a língua, tomando o cuidado de adaptarmos para mais ou menos formal, dependendo da situação, pra não sermos discriminados. E isso está escrito no livro!!!! Tem alguém que não sabe disso ainda? Ou alguém ainda acha que os professores tradicionais falam exatamente como está na gramática que tanto defendem!!! E observem que eu escrevi “falam” e não “escrevem”.
Quem tiver acesso ao livro, também pode observar, que toda a explicação dada é feita em linguagem culta, portanto, sem levar o aluno a aprender só a linguagem coloquial. Só pra saber, alguém aí conhece quem fale Baile dos Alemães (de Glorinha/RS)? Eu não! E acho que até descaracterizaria o nome do Baile dos Alemão!!!
É como se as pessoas que criticam o livro dissessem "Como que eu não vou mais poder discriminar as pessoas que falam e escrevem diferente de mim? Já não podemos discriminar pela cor da pele, pela opção sexual, agora, também não posso mais rir da cara de quem fala o que aqueles que detém o poder acham errado?” Por que, como diz Cagliari (1997, p. 10), “O domínio da escrita e o acesso ao saber acumulado tem sido uma das maiores fontes de poder nas sociedades e, por isso mesmo, privilégio das classes dominantes.” E são as classes dominantes, e que, por sinal, não sabem nada de Linguística, é que fazem esse escândalo todo quando se fala em não discriminar quem fala diferente.
Os mais informados já sabem que “A igualdade de chances se tornaria perigosa demais para os que quisessem mandar e ter quem lhes obedecesse.”, como está escrito no mesmo livro de Cagliari, na p. 10, e por isso ficam propagando por aí que o que vale mesmo é a língua “padrão” (Só pra lembrar, a língua padrão só existe nos livros de Gramática e ninguém usa igual está lá!,).
Até porque, como muito bem explica o Prof. Dr. Cristóvão Tezza, na entrevista dada ao programa “Entre aspas” da Globo News, a gramática da língua padrão, como está nos livros brasileiros, segue o padrão da Língua Portuguesa europeia, e que não corresponde à língua padrão usada no Brasil (mesmo por quem diga que sabe tudo sobre essa língua).
É claro que sei que meus alunos têm que saber as variantes mais cultas da Língua Portuguesa, pois quero que eles façam o melhor uso possível de todas as possibilidades da(s) língua(s), pra terem sucesso profissional e pessoal.
Sem contar, que a maioria dos que não sabem a forma culta é porque não têm condições sociais de estudar direito, tem carências financeiras, causadas por um consumo desenfreado e um capitalismo esmagador, mas é claro que isso fortalece as classes mais ricas, então, que se jogue a culpa nos professores, nos livros didáticos, nos gestores das escolas, nos próprios estudantes, para continuar mascarando a falta de vergonha dessa situação!!!
Está muito claro pra mim, que as autoras explicam a importância de todos saberem a norma culta (que é o que tem que ser priorizado na escola, sim, mas sem discriminar as formas que nós ou nossos alunos falamos), e mostram, pra isso, exemplos usados na FALA informal!
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