Agora, em 3º e último lugar dessas discussões, temos a primeira reportagem do que o Jornal Nacional tem chamado de Blitz da Educação. Traduzindo, blitz quer dizer, originalmente, “checagem, averiguação policial” ou algo assim. A reportagem começa com duas escolas de Novo Hamburgo, considerada uma cidade rica, pelos jornalistas.
Todos sabemos que nossa sociedade é composta de cidades com bairros com poder aquisitivo bem maior que outros – e imagino que TODAS as cidades brasileiras sejam assim, portanto, mostrar uma escola mais rica e outra mais pobre como as de índice maior e menor, respectivamente, responsabiliza toda a sociedade, não só professores, gestores e os próprios alunos, como a reportagem induz deliberadamente a pensar.
Pra começar, usando ainda do que escreveu Cagliari (1997, p. 11) “Por meio da escola, poder-se-ia mudar a sociedade. Esta, sabendo disso, toma a dianteira e procura manter a escola sob controle. Se nossa sociedade estivesse de fato interessada em melhorar a vida de seus membros, nossa escola seria muito diferente.” Assim, não só a escola do bairro de classe social mais alta teria condições de ter material didático e estrutura física como a mostrada, mas também a outra. E talvez assim, aquele(s) menino(s) de 13/14 anos que ainda está (estão) na 1ª série poderia(m) já estar(em) alfabetizado(s) se não tivesse(m) tantos problemas financeiros pra resolver já com essa idade. Todos sabemos que muitos nessa idade já têm que trabalhar pra ter o que comer, como mostrou o próprio JN na visita ao Espírito Santo. E alguém já se perguntou se alguma dessas crianças tem alguma dificuldade cognitiva que não foi detectado justamente por não ter atendimento médico adequado para um diagnóstico e prognóstico necessários nesse caso?
Também acho que deveria ser averiguado a veracidade da informação dos salários dos professores. Não tenho tanta certeza se a professora Carla Liziane, que chegou esse ano na escola, conforme informações que tive, receba realmente R$ 3.000,00, mesmo. Tenho colegas que trabalham em Novo Hamburgo, na rede municipal, com o mesmo nível de escolaridade e que, afirmam não receberem tudo isso.
Achei também muito mal editada a reportagem, também porque não mostra por que a profª Neuza Beatriz gosta tanto de trabalhar em uma escola com tantos problemas – poderiam ter explicado, já que o que mostraram na maioria da reportagem é que os profºs não estão se importando com o sucesso de todos os alunos, nesse tipo de escola.
Também acredito que se deve tentar até a última alternativa pra conseguir a aprendizagem do aluno, mas não tem como entrar na cabeça deles e enfiar tudo lá dentro. Depende também da vontade deles, como foi mostrado. E se a vontade deles é influenciada pelo meio em que vivem, não é só com tecnologia que poderemos “competir”. Mascarar os conteúdos com materiais didáticos avançados não vai adiantar. Temos, sim que ter professores especializados, bem remunerados, gestões interessadas em melhorar a realidade das escolas apesar das poucas verbas, pais interessados no que acontece com seus filhos na escola e, principalmente, que cobrem que seus filhos se mostrem educados na escola, respeitosos, que queiram aprender. Infelizmente, o que vejo hoje, são pais que “depositam” seus filhos na escola, pra que essa tome conta deles, em todos os sentidos e não só na aprendizagem, especialmente nas comunidades de poder aquisitivo menor, pois nessas, geralmente, todos da família têm que trabalhar muitas horas pra se sustentar e realmente, em alguns casos, não têm tempo de ir na escola e participar das atividades, portanto não sabem o que acontece lá e não cobram qualidade.
Por isso é que acho que tudo deveria ser visto num contexto social – e não só educacional, como mostrado na reportagem.
Espero que, realmente, essas polêmicas das últimas semanas, sirvam pra nos fazer progredir na educação.
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